INDEPENDÊNCIA DA AUTORIDADE FISCALIZADORA E EFETIVIDADE DA PROTEÇÃO DE DADOS PESSOAIS NA SOCIEDADE EM REDE

Autores

  • Mariana Ribeiro Santiago Universidade de Marília - UNIMAR https://orcid.org/
  • Paulo Jorge Santos Universidade de Marília https://orcid.org/

DOI:

https://doi.org/10.25192/issn.1982-0496.rdfd.v27i21711

Resumo

O presente artigo busca demonstrar a importância de se conceder independência e autonomia à Autoridade de Proteção de Dados Pessoais, instituição que se constitui como base para a eficácia e efetividade da Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais, através de sua transformação em autarquia especial federal. Para este fim, é apresentado um desenho do atual contexto por que passa a sociedade e, consequentemente, a economia mundial, os quais ganharam os novéis conceitos de sociedade em rede e economia da informação. Procede-se a uma análise do que venha ser Big Data, com o intuito de sedimentar o caminho para se entender o contexto em que nasceram as leis de proteção aos dados pessoais em todo o mundo. Percorre-se a evolução dos normativos de proteção da privacidade e dados pessoais, os quais foram delineados em quatro gerações. Explica-se o conceito, a função, a importância e a posterior ineficácia do papel do consentimento como instrumento único de proteção de tais direitos. Por fim, busca-se demonstrar a importância de dotar tal entidade de um mínimo de independência e autonomia, imperativo para que essas instituições alcancem a finalidade para a qual foi criada. O método de abordagem utilizado é o dedutivo, com o auxílio do método de pesquisa bibliográfico. Conclui-se que a independência de uma autoridade nacional de proteção de dados amplia a efetividade da legislação específica sobre a matéria.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Mariana Ribeiro Santiago, Universidade de Marília - UNIMAR

Doutora em direito pela PUCSP. Professora do Programa de Mestrado em Direito da Universidade de Marília - UNIMAR. Editora-chefe da Revista Argumentum. Advogada.

Paulo Jorge Santos, Universidade de Marília

Mestrando em Direito pela Universidade de Marília - UNIMAR. Professor do Instituto Federal do Acre e da Faculdade da Amazônia Ocidental. Procurador do Estado do Acre.

Referências

BANDEIRA DE MELLO, Celso Antônio. Natureza e Regime Jurídico das Autarquias. São Paulo: Revista dos Tribunais, 1968.

BARROSO, Luís Roberto. Apontamento sobre as Agências Reguladoras. In: MORAES, Alexandre de (Coord.). Agências reguladoras. Atlas, São Paulo, 2002.

BENKLER, Yochai. The wealth of networks: how social production transforms markets and freedom. In: New Haven and London: Yale University Press, 2006, p. 13. Disponível em: http://www.benkler.org/Benkler_Wealth_Of_Networks.pdf. Acesso em dez. 2018.

BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicaocompilado.htm. Acesso em dez. 2018.

BRASIL. Lei n. 13.709 de 14 de agosto de 2018. Dispõe sobre a proteção de dados pessoais e altera a Lei nº 12.965, de 23 de abril de 2014 (Marco Civil da Internet). Disponível em http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2018/Lei/L13709.htm. Acesso em dez. 2018.

BRASIL. Medida Provisória Nº 869, de 27 de dezembro de 2018. Altera a Lei nº 13.709, de 14 de agosto de 2018, para dispor sobre a proteção de dados pessoais e para criar a Autoridade Nacional de Proteção de Dados, e dá outras providências. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2018/Mpv/mpv869.htm. Acesso em fev. 2019.

BIONI, Bruno Ricardo. Proteção de dados pessoais: a função e os limites do consentimento. Rio de Janeiro: Forense, 2019.

BIONI, Bruno. Xeque-mate: o tripé de proteção de dados pessoais no xadrez das iniciativas legislativas no Brasil. Disponível em: http://gomaoficina.com/wp-content/uploads/2016/07/XEQUE_MATE_INTERATIVO.pdf. Acesso em fev. 2019.

BOYD, Danah; CRAWFORD, Kate. Critical questions for big data. Provocations for a cultural, technological, and scholarly phenomenon. “We define big data1 as a cultural, technological, and scholarly phenomenon”. Information, Communication & Society, Vol. 15, Issue 5. 2012. Disponível em: http://dx.doi.org/10.1080/1369118X.2012.678878. Acesso em jan. 2019.

CASTELLS, Manuel. A Sociedade em rede. 8. ed. Tradução de Roneide Venâncio Majer. São Paulo: Paz e Terra, volume I, 2005a.

CASTELLS, M. A Sociedade em Rede: do Conhecimento à Política. In: CASTELLS, M.; CARDOSO, G. A Sociedade em rede: do conhecimento à ação política. Belém: Imprensa Nacional – Casa da Moeda, 2005b. p. 20. Disponível em: http://www.egov.ufsc.br/portal/sites/default/files/ anexos/a_sociedade_em_rede_- do_conhecimento_a_acao_politica.pdf. Acesso em dez. 2018.

DONEDA, Danilo. Da privacidade à proteção de dados pessoais. Rio de Janeiro: Renovar, 2006.

DONEDA, Danilo. A proteção dos dados pessoais como um direito fundamental. Espaço Jurídico. Joaçaba, V. 12, n. 2, p. 91-108, Ago.-Dez./2011.

EUROPEAN UNION. DIRECTIVE (EU) 2016/680 OF THE EUROPEAN PARLIAMENT AND OF THE COUNCIL. Official Journal of the European Union, 27 April 2016. Disponível em: https://eur-lex.europa.eu/legal-content/EN/TXT/PDF/?uri=CELEX:32016L0680&from=EN. Acesso em fev. 2019.

FORTES, Vinícius B. BOFF, Salete O. AYUDA, Fernando G. The fundamental right to privacy in Brazil and the internet privacy rights in regulating personal data protection. Revista Eletrônica do Curso de Direito da UFSM, v. 11, n. 1 /2016, p. 24-48, 2016.

GOMES, Rodrigo Dias de Pinho. Desafios à privacidade: Big Data, consentimento, legítimos interesses e novas formas de legitimar o tratamento de dados pessoais. Disponível em: https://itsrio.org/wp-content/uploads/2017/03/Rodrigo-Gomes.doc-B.pdf. Acesso em janeiro de 2019.

HOUAISS, Antonio. Dicionário Houaiss da língua portuguesa. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001.

INSTITUTO DE TECNOLOGIA & SOCIEDADE DO RIO - ITS. Big data no projeto Sul Global. Relatório sobre estudos de caso. Rio de Janeiro, 2016. Disponível em:http://itsrio.org/wp-content/uploads/2016/03/ITS_Relatorio_Big -Data_PT-BR_v2.pdf. Acesso em: dez. 2018.

JABUR, Gilberto Haddad. Liberdade de pensamento e direito à vida privada: conflitos entre direitos da personalidade. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2000.

MENDES, Laura Schertel. Privacidade, proteção de dados e defesa do consumidor: linhas gerais de um novo direito fundamental. São Paulo: Saraiva, 2014.

RODOTÀ, Stefano. A vida na sociedade da vigilância: a privacidade hoje. Organização, seleção e apresentação de Maria Celina Bodin de Moraes. Tradução Danilo Doneda e Luciana Cabral Doneda. Rio de Janeiro: Renovar, s/d.

SANTIAGO, Mariana Ribeiro; CAMPELLO, Livia Gaigher Bósio. Função social e solidária da empresa na dinâmica da sociedade de consumo. Scientia Iuris. Londrina, v. 20, n. 1, p.119-143, abr. 2016.

SARLET, Ingo Wolfgang. A eficácia dos direitos fundamentais: uma teoria geral dos direitos fundamentais na perspectiva constitucional. 10. ed. rev. atual. e ampl. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2009.

SOLOVE, DJ. Privacy self-management and the consent dilemma. Harvard Law Review 126: 1880–1903. Disponível em: https://harvardlawreview.org/2013/05/introduction-privacy-self-management-and-the-consent-dilemma/. Acesso em fev. 2019.

STOCO, Rui. Responsabilidade Civil e Sua Interpretação Jurisprudencial. 4 ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 1999,

STRENGER, Irineu. Autonomia da vontade em direito internacional privado. São Paulo: Revista dos Tribunais, 1968.

TOONDERS, Joris. Data is the new oil of the digital economy. Disponível em: https://www.wired.com/insights/2014/07/data-new-oil-digital-economy/. Acesso em: dez. 2018.

UNIÃO EUROPEIA. Carta dos Direitos Fundamentais da União Europeia.

Parlamento Europeu, Conselho da União Europeia e Comissão Europeia. 2000. Disponível em: http://www.europarl.europa.eu/charter/pdf/text_pt.pdf. Acesso em fev. 2019.

Downloads

Publicado

31-08-2022

Como Citar

Santiago, M. R., & Santos, P. J. (2022). INDEPENDÊNCIA DA AUTORIDADE FISCALIZADORA E EFETIVIDADE DA PROTEÇÃO DE DADOS PESSOAIS NA SOCIEDADE EM REDE. Revista Direitos Fundamentais & Democracia, 27(2), 39–62. https://doi.org/10.25192/issn.1982-0496.rdfd.v27i21711